www.coelte.com.br - Artigos - COP-15: resultados mostram que ainda é preciso percorrer um longo caminho
Países terão até dia 31 de janeiro para submeter metas de redução de emissões até 2020. Eficiência energética, soluções que reduzam o consumo de energia e fontes renováveis são ingredientes da receita
Apesar de não ter atingido o objetivo de estabelecer novas metas ou compromissos de longo prazo para a redução das emissões de gases de efeito estufa, a COP-15 abriu uma brecha para os países acertarem os ponteiros. A conferência, realizada no mês de dezembro do ano passado em Copenhague, na Dinamarca, deixou uma provisão para que as nações desenvolvidas (as do anexo 1) submetam até 31 de janeiro deste ano suas metas de redução de emissões até 2020.
Os compromissos voluntários dos países em desenvolvimento (fora do anexo 1) também devem ser enviados até a mesma data. Segundo os cientistas que estudam as mudanças climáticas, para atingir as metas vinculantes ou voluntários, os países precisam calibrar bem uma receita que tem ingredientes como: investir em eficiência energética e em soluções que reduzam o consumo energético; substituir combustíveis fósseis por fontes renováveis de energia (hídricas, eólicas, solar, hidrogênio, biomassa etc); e buscar novas tecnologias limpas. Estima-se que sejam necessários, em 2010, cerca de US$ 30 bilhões para viabilizar os compromissos dos países em desenvolvimento. Até 2020, este valor pula para a cifra de US$ 120 bilhões.
O Brasil correu e procurou, voluntariamente, estabelecer compromissos e metas com a lei que cria a Política Nacional sobre Mudanças Climáticas. "As metas propostas pelo Brasil, no que diz respeito ao setor de energia, são baseadas no Planejamento do Setor (PNE 2030) e, portanto, não foram diretamente afetadas pela COP 15", observa Hamilton Moss de Souza, diretor do Departamento de Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia (MME). Hamilton Moss considera um grande passo o país ter se antecipado e se comprometido com as metas de redução das emissões. "A eficiência energética deverá continuar a ter um importante papel tanto no Brasil quanto no mundo. Mesmo num país com matriz energética limpa, usar energia de forma eficiente é a melhor maneira de conciliar desenvolvimento econômico e sustentabilidade ambiental", analisa Moss.
Uma das muitas pessoas que estiveram no cenário da COP-15, Silvia Calou, diretora executiva da Associação Brasileira de Concessionárias de Energia Elétrica (ABCE), avalia que o encontro consolidou o entendimento de que a questão é crucial para o planeta, apesar de ter frustrado as expectativas. "Muitos grupos avançaram e, embora não sendo conclusivos, cobriram temas importantes que continuarão em 2010", lembra Silvia, que também preside o Fórum do Meio Ambiente do Setor Elétrico.
Estima-se que sejam necessários, em 2010, cerca de US$ 30 bilhões para viabilizar os compromissos dos países em desenvolvimento. Até 2020, este valor pula para a cifra de US$ 120 bilhões "Do ponto de vista de eficiência energética, independentemente da discussão climática, ela é um tema de suma importância, pois a busca da eficiência energética deve ser um objetivo permanente do setor de energia.
No contexto internacional, como a produção e consumo de energia são os maiores responsáveis pelas emissões de gases de efeito estufa, o tema tem dimensões um pouco diferentes do que no nosso país", observa Silvia. Para ela, por conta da nossa matriz mais renovável, no Brasil a eficiência energética está mais relacionada a investimentos evitados, por vezes mais do que emissões evitadas. A executiva lembra que a eficiência energética foi um dos pontos do position paper preparado pelo Fórum do Meio Ambiente do Setor Elétrico como contribuição para a COP-15.
Uma das medidas propostas no documento foi a criação do Selo de Energia Renovável ou Selo Verde de Energia. "Esta proposta ao nosso ver contribui para a eficiência energética, pois incentiva o uso racional dos recursos energéticos para a produção nacional", comenta Silvia Calou. Felipe Faria, gerente Comercial do GBC Brasil, é outro que aposta no trinômio eficiência energética, conservação de energia e produção de energia verde na busca pela sustentabilidade do planeta. "Os gastos para a produção de energia e a geração de CO2, em face sua produção e consumo, impactam fortemente a sustentabilidade do planeta, e os esforços para a conservação de energia sempre geraram e continuarão a prover resultados positivos na mitigação destes impactos", observa Faria.
O gerente do GBC Brasil manifesta preocupação com o crescimento marginal de fontes poluentes em nossa matriz energética nos últimos anos. "Pensando no fato de que os investimentos em redução de consumo de energia são 20 vezes menores que os investimentos para aumentar a produção, concluimos que a conservação é prioridade", diz Faria, ressaltando que as construções verdes possuem um potencial de reduzir em até 40% o consumo de energia, gerando grande retorno financeiro.
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Fonte: Dayanne Jadjiski e Danilo Oliveira, para o Procel Info
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